Foto: Ícaro Soares/GOVBA

O cantor e sanfoneiro Flávio José divulgou, na terça-feira (9), a agenda oficial de apresentações no São João de 2026 e deixou a Bahia de fora da programação. Ao todo, o artista confirmou 14 shows ao longo do mês de junho, todos em outros estados do Nordeste. A ausência do cantor nos festejos baianos ocorre dias após ele anunciar publicamente que não se apresentaria no estado neste São João.

A decisão foi divulgada em meio à recomendação do Ministério Público da Bahia (MP-BA) relacionada ao valor do seu cachê. Segundo a agenda divulgada pelo artista, as apresentações acontecerão nos estados de Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte.

A equipe responsável pela representação dos shows de Flávio José na Bahia informou ao g1 que participou de uma reunião com o Ministério Público da Bahia (MP-BA) na segunda-feira (8). No encontro, foi discutida a manutenção ou não do cachê contratado para as apresentações do cantor no estado.

Em entrevista à TV Bahia, a promotora de Justiça Rita Tourinho informou que a situação foi mal interpretada pelo artista, que não foi “alvo” direto de nenhuma recomendação do órgão. Ela detalhou que diversos acordos foram propostos para Flávio José durante a reunião, mas ele não quis aceitar a redução dos valores.

“Tentamos todas as formas de tratativas, porque entendemos que ele é uma figura importante para o São João, mas, infelizmente, ele realmente não quis nenhuma tratativa”, disse. A promotora de Justiça aponta que a insatisfação do artista nasce de uma espécie de “mágoa” diante do crescimento desproporcional dos cachês de artistas de outros gêneros, que não o forró, durante o período junino. Apesar de considerar a discussão séria e válida, ela aponta que não cabe aos órgãos de regulação a ingerência sobre o que é pago.

Além disso, outros artistas também foram citados na recomendação e firmaram acordos com o MP-BA para adequação dos cachês. “Ministério Público não pode atuar de forma diversa com relação aos artistas. […] Aquelas pessoas que também procuraram o Ministério Público, e que também têm notoriedade, iam se sentir como?”, aponta.

“Acho que ele abre um debate muito interessante que é o destaque que a gente tem que dar ao forró no Nordeste e no nosso estado. Acho que essa discussão é séria e tem que ser abraçada pelo estado da Bahia […] e os municípios têm que aderir a essa política de valorização do forró”, enfatiza.

O caso ganhou repercussão após Flávio José afirmar, nas redes sociais, que não pisaria nos palcos baianos durante os festejos juninos deste ano. A declaração foi feita em um comentário publicado no Instagram, no último dia 3 de junho.

Na mensagem, o artista demonstrou insatisfação com a recomendação do MP-BA relacionada aos valores pagos por municípios para a contratação de atrações artísticas durante o São João. Na mesma publicação, ele afirmou ter se sentido desvalorizado e criticou a diferença entre os valores destinados a artistas de outros gêneros musicais e aos representantes do forró tradicional.

“E este ano a Bahia ficará sem minha presença. Às vésperas da maior festa de manifestação cultural do Nordeste, eu recebo a notícia que o MP da Bahia resolveu diminuir o meu cachê. Enquanto outros artistas que nada tem a ver com forró ganham rios de dinheiro”, iniciou Flávio José na mensagem.

“É de um desrespeito sem tamanho. Por esse motivo não irei à Bahia este ano. Lamentável, deixei de vender minhas datas para estados que realmente me valorizam. Priorizei a Bahia durante toda minha carreira e hoje recebo essa informação como gratidão que o estado me devolve”.

O Ministério Público da Bahia tem realizado reuniões com gestores municipais e representantes de artistas para discutir contratos de apresentações juninas, com o objetivo de adequar gastos públicos e garantir a razoabilidade dos valores pagos com recursos públicos. G1