O Ministério Público da Bahia (MP-BA) denunciou 28 pessoas suspeitas de integrar uma organização criminosa com atuação no tráfico de drogas no extremo sul da Bahia e outros estados. O presidente da Câmara de Vereadores de Guaratinga, Paulo Silva de Oliveira, conhecido como “Paulinho Chiclete”, está entre os denunciados pelo órgão.

Conforme o MP-BA, a denúncia foi oferecida à Justiça na terça-feira (26). A ação é resultado de um trabalho realizado pelo órgão em parceria com a Polícia Civil, em mais uma fase da “Operação Vento do Norte”.

Conforme as investigações, o vereador Paulinho Chiclete atuava no apoio logístico do grupo criminoso, ajudando no armazenamento e transporte de drogas. Além disso, ele era responsável por monitorar movimentações policiais. Ao g1, a defesa do político afirmou que o vereador não tem qualquer relação com o crime organizado e que a ação penal será uma oportunidade para esclarescer os fatos.

“A Ação Penal, que já era esperada pela defesa, será uma grande oportunidade de clareamento dos fatos e comprovação de sua absoluta inocência. Pois compete ao MP, órgão de acusação, comprovar seu envolvimento com o crime organizado, mas não de forma genérica, baseando-se em conclusões extraídas de conversas de terceiros. Respeito o órgão de acusação, mas estou absolutamente certo da inocência de Paulo”.

Paulinho Chiclete e outras seis pessoas foram presas no dia 8 de abril deste ano, durante a operação Vento Norte nas cidades de Eunápolis e Guaratinga. A ação também cumpriu um bloqueio de R$ 3,8 milhões em ativos financeiros. As medidas foram expedidas pela Justiça da Comarca de Belmonte e atingiram 26 contas bancárias ligadas aos investigados.

Outros cinco mandados de prisão foram cumpridos no sistema prisional, sendo dois no estado do Espírito Santo, um em Minas Gerais, um no Rio de Janeiro e um na Bahia, onde os investigados já se encontravam custodiados.

Na ocasião, o vereador Paulo Chiclete também foi autuado em flagrante por posse ilegal de arma de fogo. Em nota, a defesa do político disse que ele é inocente e que está à disposição da Justiça para prestar todos os esclarecimentos necessários. A operação também resultou no cumprimento de oito mandados de busca e apreensão domiciliar. Foram apreendidos uma pistola, celulares e documentos.

De acordo com as investigações, o grupo tem atuação estruturada e é suspeito de envolvimento com tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e associação criminosa. Ainda conforme a polícia, os investigados usavam contas bancárias para movimentar recursos de origem ilícita.

Segundo as apurações do MP-BA, o grupo criminoso utilizava fintechs — empresas que combinam finanças e tecnologia para simplificar serviços bancários — para “lavar” dinheiro. Em apenas uma das investigadas, foi identificada uma movimentação superior a R$ 20 milhões. Cerca de 70 policiais civis da 23ª Coordenadoria Regional de Polícia do Interior (23ª Coorpin/Eunápolis) participaram da ação. G1