Foto: Andressa Anholete/Agência Senado

O senador Jaques Wagner (PT) contestou, em entrevista à Folha de S.Paulo, as acusações que o associam ao Banco Master e afirmou que espera apenas que os fatos sejam esclarecidos. Na conversa, o parlamentar também criticou a linha adotada pela investigação, afirmando que ela distorce sua atuação no Congresso Nacional.

“Não quero proteção, quero correção. Eles inventaram que trabalhei pelo Banco Master. E eu nunca trabalhei a favor, trabalhei contra”, disse.

O senador também ressaltou que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, confirmou publicamente que sua atuação parlamentar foi incompatível com a versão apresentada pela Polícia Federal.

Segundo Wagner, sua única iniciativa legislativa relacionada ao tema foi uma emenda apresentada à Medida Provisória 1106/2022, que alterava regras do crédito consignado. A proposta buscava limitar as taxas de juros para proteger os consumidores, medida que, de acordo com o senador, contrariava os interesses do Banco Master.

O parlamentar também negou qualquer participação na chamada “Emenda Master”, vinculada à PEC 65/2023, que amplia a autonomia do Banco Central. Ele afirmou ter sido contrário à proposta e destacou que o relator da matéria, senador Plínio Valério (PSDB), informou, em nota, “jamais ter sido procurado” por Wagner para discutir o assunto.

Ao comentar a origem das acusações, Jaques Wagner rebateu a versão de que o caso teria começado na Bahia, tese que atribui a adversários políticos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Quem viabilizou o Banco Master foi Roberto Campos Neto e o seu Banco Central. O Banco Master foi concretizado no governo Bolsonaro”, afirmou. Em seguida, comparou a situação à investigação sobre fraudes no INSS: “Está parecendo a história da CPMI do INSS. A gente investiga, estoura o esquema, e de repente querem nos botar a culpa”, concluiu. Bahia.ba