O Bahia ficou no empate por 1 a 1 com o Grêmio, na tarde deste domingo, e chegou a sete jogos sem vencer. Na Casa de Apostar Arena Fonte Nova, o clube gaúcho abriu o placar com Viery, e Sanabria deixou tudo igual. O Esquadrão chegou a pressionar pela virada, mas parou na trave.
O jogo deste domingo também foi marcado por protestos antes, durante e após a partida. O principal alvo da torcida tricolor foi o técnico Rogério Ceni. Após a partida, o treinador avaliou a atitude da torcida e lamentou o empate na Arena Fonte Nova.
– Vejo como uma democracia as pessoas expressarem as suas opiniões. Entendo a tristeza do torcedor. A gente também carrega. Hoje, com tantas oportunidades, a bola não entra. Momento difícil, de baixa. Hoje a gente fez muito bom jogo, melhor que na Copa do Brasil, mas não conseguiu vencer. Isso é frustrante. A gente tenta jogar de acordo com o que o jogo pedia. Eu lamento porque trabalho muito todos os dias, me dedico muito. Uma torcida que vem, comparece, está sempre presente. A gente não pode tirar o mérito, entendo a frustração. Essa eliminação para o Remo pesou bastante. É um momento difícil que a gente tem que tentar se manter firme. O Brasileiro está muito equilibrado. Gostaria que o torcedor apoiasse. Em matéria do que criamos, nós merecíamos sair com a vitória hoje. O torcedor está chateado, e eu entendo. Gostaria que eles gostassem do trabalho. Os jogadores sentem, é claro. Entendo o lado do torcedor e o dos jogadores. É um momento de baixa que a gente tem que transformar essas chances de gols em gols – disse Ceni.
Sem vencer há sete jogos, o Bahia igualou o maior jejum na era Rogério Ceni, registrado no fim da temporada 2024. Durante a entrevista, o técnico fez um desabafo ao ser perguntado se pediria para deixar o clube diante da pressão da torcida.
“Você abandonaria sua profissão se alguém te ofendesse? Fechar o canal por alguém te ofender. Se você fosse ofendido, você largaria? Claro, se você ama o seu trabalho. A vida consiste muito no que você é apaixonado. Eu sei que eu tenho capacidade, que os atletas acreditam em mim”, diz Rogério Ceni.
– Eu vou em pouquíssimos lugares. Trabalho 12h por dia e fico muito em casa. A minha vida é trabalhar. Isso é o que eu penso da vida. Claro que eu sustento família, todos. E o mais importante é que eu gosto do que eu faço. Com todo respeito, eu quero poder trabalhar e desenvolver o que eu gosto. Gostaria que o torcedor voltasse, apoiasse. A cada vez que eles me ofenderem, mas eu não vou pegar na bola. Não é agradável. Eu sei como é. É sempre mais difícil trabalhar com vaia. Gostaria que o torcedor estivesse com a gente para a gente repetir o sonho que tivemos. A gente tem que tentar provar valor, trabalho. Não levo para o pessoal. A vida do treinador é essa. Entendo tudo isso porque o torcedor vem para extravasar. E ele quer o seu time vencer. Não acho justo uma pessoa abandonar o que ama por uma ofensa. Isso é para gente fraca, que desiste fácil – finalizou o treinador.
Rogério Ceni também avaliou se o trabalho à frente do time está no limite. No ano, o Tricolor conquistou o Campeonato Baiano, mas caiu na fase prévia da Libertadores para o O’Higgins e na quinta fase da Copa do Brasil para o Remo. No Brasileiro, a equipe está na sétima posição, com 23 pontos.
– Acho que o elenco trabalha muito. Se o meu limite for o que aconteceu hoje, esse é o meu limite, com oito oportunidades claras de gols. O que eu não consigo controlar é a bola entrar ou não. O resultado é preponderante. Eu trabalho muito todos os dias. Eu dou treino, assisto ao treino, assisto o adversário, apresento as correções. Em casa somos preponderantes, dominantes, temos sempre as melhores chances. Mas às vezes enfrentamos times superiores, como foi o Cruzeiro. Se o teto é você ter todas as possibilidades e a bola não entrar, por ter mais quatro ou cinco oportunidades, é um teto.
Rogério Ceni ganha mais uma semana livre para preparar o Bahia, que só volta a campo na próxima segunda-feira, contra o Coritiba, no Couto Pereira, às 20h. Globoesporte

















