© Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Quase metade dos brasileiros (45%) buscou fontes de renda alternativa nos últimos meses para driblar a perda do poder de compra, revela o Datafolha. O dado sinaliza uma mudança estrutural; o “bico” deixou de ser eventual para se tornar estratégia de sobrevivência mesmo para quem tem emprego fixo. Essa pressão financeira redesenha o mercado de trabalho, transformando o esforço extra na única via para fechar as contas do mês.

O perfil do multitarefa por necessidade

A busca pelo dinheiro extra não escolhe necessariamente um setor, mas o levantamento aponta que a pressão é maior nas classes C, D e E. Entre os principais motores dessa movimentação, destacam-se:

  • Inflação de itens básicos: embora os índices oficiais apresentem variações controladas, o custo de vida em serviços e alimentação continua pressionando o orçamento doméstico.
  • A “Gig Economy”: a facilidade de acesso a plataformas digitais (aplicativos de transporte, entrega e microtarefas online) reduziu a barreira de entrada para quem precisa de liquidez imediata.

Endividamento: com o crédito caro, a renda extra surge como a única via para evitar a inadimplência ou quitar juros rotativos.

Onde os brasileiros estão empreendendo?

A criatividade do brasileiro reflete-se na diversidade das fontes de receita. A pesquisa e analistas do setor indicam que as principais frentes são:

Vendas diretas: de cosméticos a alimentos preparados em casa (marmitas, doces e bolos).

Serviços digitais: gestão de redes sociais, design gráfico e aulas particulares via internet.

Logística e transporte: motoristas e entregadores por aplicativo continuam sendo o porto seguro do trabalho intermitente.

Desapego: a venda de itens usados em marketplaces de segunda mão ganhou força como uma entrada pontual de caixa.

Salários baixos impulsionam o “extra”

Apesar da queda no desemprego, Fabio Bentes, da CNC (Confederação Nacional de Comércio de Bens, Serviços e Turismo), afirma que a busca por renda extra reflete a baixa qualidade dos salários. Para o economista, o fenômeno é um sintoma direto de um mercado aquecido, mas que oferece remunerações baixas. Correio da Bahia