Celebrado nesta quinta-feira (20), o Dia da Consciência Negra — agora feriado nacional — reforça a importância da reflexão e da luta por igualdade racial no Brasil. Em entrevista ao Portal Infosaj/TV Recôncavo nesta quarta-feira (19), Carlos Conceição, diretor da Secretaria de Cultura de Santo Antônio de Jesus, falou sobre a simbologia da data e os muitos desafios que ainda persistem para a população negra.

Segundo Carlos, apesar dos avanços e das conquistas alcançadas nas últimas décadas, ainda há profundas barreiras a serem superadas. “Por termos muito o que conquistarmos, é que nós estamos aqui hoje irmanados nessa corrente preta, fortalecendo as nossas lutas e nossas faltas”, afirmou.

Ele reconhece que pessoas negras já ocupam diversos espaços na sociedade, mas frisa que isso ainda não representa a reparação histórica necessária. “É verdade que nós temos negros que ocupam espaço na sociedade, mas a gente precisa ainda quebrar muitos grilhões, muitas portas de senzala, muitos acoites. Muitas correntes ainda precisam ser quebradas para que o nosso povo preto ocupe mais esse espaço”, declarou.

Apesar das dificuldades, Carlos também enxerga motivos para celebração, ao observar a crescente presença de pessoas negras em diferentes áreas de destaque. “A gente celebra quando vê hoje uma preta modelo, um preto diretor, uma preta professora, psicóloga, advogada, doutora. O vinte de novembro é uma data para lembrar que, para nós estarmos aqui, Zumbi precisou lutar muito, Dandara precisou lutar muito, nossos ancestrais precisaram lutar muito”, disse.

Para ele, o legado dos líderes quilombolas e de toda a ancestralidade negra deve servir de inspiração para as novas gerações, reforçando a continuidade dessa trajetória de resistência. “Hoje é a nossa vez, hoje é o nosso momento de luta, para que assim como eles abriram caminho para que estejamos aqui, seja também possível que aqueles que estão chegando ocupem esses espaços”.

Carlos finalizou destacando a importância do trabalho institucional em prol da igualdade racial. “Isso nos dá alegria de estarmos aqui enquanto direção da Promoção da Igualdade, enquanto gestão municipal e Secretaria de Cultura”, completou. A data, segundo ele, é mais do que uma celebração — é um chamado permanente à ação coletiva, ao fortalecimento das políticas públicas e ao reconhecimento da história e do valor do povo negro no país.

Veja a entrevista completa