Foto: Antonio Augusto/STF

Em 134 anos de história, o Supremo Tribunal Federal (STF) já teve 172 ministros. Entre eles, apenas três mulheres — e nenhuma negra.

A discussão voltou após o ministro Luís Roberto Barroso anunciar, na quinta-feira (9), que vai antecipar sua aposentadoria. A saída abrirá mais uma vaga para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva indicar ao Supremo.

No entanto, de acordo com conversas iniciais de bastidores, os favoritos à vaga de Barroso são homens.

Se Lula optar novamente por um homem, o tribunal voltará a ter dez ministros e apenas uma mulher: Cármen Lúcia, nomeada por Lula em 2006.

Antes dela, as outras ministras foram:

  • Ellen Gracie: nomeada por Fernando Henrique Cardoso em 2000. Aposentou-se em 2011.
  • Rosa Weber: nomeada pela presidente Dilma Rousseff em 2011. Aposentou-se em 2023.

Lula já começou a sofrer pressões de movimentos sociais para indicar uma mulher. Entre elas, o nome mais forte no momento é da ministra Daniela Teixeira, do Superior Tribunal de Justiça.

Favoritos na disputa

Os três homens aparecem como os principais cotados para a vaga:

Jorge Messias, advogado-geral da União, é considerado o favorito natural de Lula, por ser um dos auxiliares mais próximos e de maior confiança pessoal do presidente.

Rodrigo Pacheco, senador (PSD-MG) e ex-presidente do Senado, tem o apoio de Davi Alcolumbre — aliado de peso no Congresso e presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), responsável por conduzir a sabatina. Pacheco também é visto com simpatia por ministros do Supremo próximos ao governo, como Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes, Flávio Dino e Cristiano Zanin.

Bruno Dantas, presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), tem trânsito fácil entre o Planalto e o Congresso e é considerado um nome técnico e político, capaz de conciliar interesses entre o governo e o Senado.

A tendência, segundo fontes do Planalto, é que Lula mantenha o critério da confiança pessoal que orientou as indicações de Zanin e Flávio Dino. Nesse cenário, Messias larga na frente.

Chances de uma mulher

De acordo com o blog de Gerson Camarotti, se o impasse entre Messias, Pacheco e Dantas se acirrar e a pressão por uma mulher aumentar, o nome mais ventilado no Palácio do Planalto é o da ministra Daniela Teixeira, do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Indicada pessoalmente por Lula em 2023, Daniela é vista como uma escolha que aliviaria o desgaste político e responderia à demanda por diversidade de gênero e raça.

Interlocutores próximos do presidente lembram que o nome de Daniela já vinha sendo cogitado — caso Lula seja reeleito — para a vaga da ministra Cármen Lúcia, que deverá se aposentar em 2029.

Logo após anunciar a aposentadoria, Barroso foi questionado sobre a possibilidade de uma mulher substituí-lo. Ele respondeu que, “filosoficamente, gosta da ideia”. G1