A pouco mais de dois meses para o início formal da campanha pelo governo do estado, o Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE) apertou de vez o cerco sobre conteúdo negativos produzidos com uso de inteligência artificial, também conhecidos como deepfakes, disseminados contra os dois principais candidatos na corrida pelo Palácio de Ondina: o governador Jerônimo Rodrigues (PT) e o ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil).
Busca feita pela Metropolítica nas edições do Diário Oficial do TRE nos últimos dois meses revelou a existência de pelo menos 15 decisões judiciais contrárias à utilização de deepfake, tanto por aliados do PT quanto por integrantes da tropa de choque do União Brasil.
Figurinha carimbada
Um dos principais alvos de representação por deepfake é o vereador de Lauro de Freitas Gabriel Bandarra, mais conhecido como Tenóbio (PL), personagem com o qual se promove politicamente. Comediante de profissão, Bandarra ganhou notoriedade por interpretar personagens que se tornaram famosos em Salvador e cidades da Região Metropolitana, tais como o Argentino do Arrocha, He-Man do Gueto e Zé da Mala.
Pena em dupla
Agora, no entanto, Gabriel Bandarra conquistou visibilidade junto à militância bolsonarista pelos ataques dirigidos a Jerônimo através de ferramentas de IA. Em 24 de abril, ele chegou a ser condenado junto com o deputado federal Capitão Alden (PL) por produzir e postar deepfakes contra o governador e punido, de forma solidária com o parlamentar, a pagar multa de R$ 30 mil, além da determinação de retirar o conteúdo de suas redes sociais.
Rede de arrasto
A Justiça Eleitoral também apontou a mira para para a rádio Nova FM Extremo Sul, de Eunápolis, por disseminar conteúdo manipulado contra o governador, além de punir diversos perfis no Instagram ligados a políticos de oposição ao PT no estado por repetirem práticas idênticas.
Corrente contrária
Em contrapartida, políticos que integram a base aliada ao governo vêm sofrendo punições no TRE por disseminação de deepfakes contra ACM Neto, quase sempre associando o ex-prefeito de Salvador à família Bolsonaro e a práticas fascistas, também por meio de inteligência artificial. A lista inclui os deputados federais Lídice da Mata (PSB), Afonso Florence e Waldenor Pereira, ambos do PT.
Bolo doido
No caso específico, a postagem que colocou o trio de parlamentares sob a mira do TRE diz respeito a um card bastante compartilhado nas bolhas de esquerda, no qual Neto aparece ao lado do ex-presidente Jair Bolsonaro e do seu filho mais velho, o senador Flávio Bolsonaro, com a seguinte frase: “Nem pai, nem filho, nem Neto”.
Fio da meada
Decisões semelhantes também foram dirigidas à vereadora de Salvador Marta Rodrigues (PT), irmã do governador, por disseminar material feito com IA, em que diz que ACM Neto e Bolsonaro são “farinha do mesmo saco”. Já o ex-prefeito de Cocos Marcelo Emerenciano, que curiosamente era filiado ao PL, foi punido por postar conteúdo manipulado artificialmente para associar o pré-candidato do União Brasil a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master e preso por fraude financeira bilionária.
Meio balanço
Desde janeiro deste ano, o TRE informou que foram ajuizadas cerca de 50 ações por propaganda eleitoral irregular, mas alegou que não há levantamento específico sobre quantos desses processos dizem respeito ao uso de deepfake. Informações do Metro1

















