“Não tem como esquecer. Todo os dias eu penso, lembro daquela cena horrível. Tem dias que não consigo dormir” A frase acima é de Germínio do Amor Divino Pereira, de 51 anos, sobre o momento em que o primo dele, o mestre de capoeira Moa do Katendê, 63 anos, foi morto dentro de um bar, em Salvador, por conta de uma discussão política. O crime ocorreu no dia 8 de outubro, na madrugada após o 1º turno das eleições.

 

Na ocasião, Germínio tentou defender Moa e foi esfaqueado no braço por Paulo Sérgio Ferreira, que está preso pelos crime de homicídio duplamente qualificado, além de tentativa de homicídio. Um mês após o assassinato do capoeirista, Germínio contou que as marcas do crime não ficaram apenas no corpo, mas também na memória segundo o G1.

 

“Quando menos espero, vem na minha mente aquele momento. Estávamos conversando sobre projetos, e aí veio aquele homem por trás e atacou Moa. Essa cena fica o tempo todo na minha cabeça” Moa foi esfaqueado após dizer a Paulo Sérgio Ferreira que era contra Jair Bolsonaro (PSL), na época candidato à Presidência, e que tinha votado no PT. Cobrador de ônibus há sete anos, Germínio está afastado do trabalho desde o dia do crime.

 

Ele conta que a facada atingiu o tendão e, com isso, perdeu o movimento dos dedos da mão direita. Diante do problema, precisou ser afastado. “Comecei a fazer fisioterapia porque não consigo mexer os dedos. Eu estou 'encostado' e recebo ajuda da família. Eu moro em uma casa embaixo da casa do meu irmão, e é ele quem me ajuda, coloca comida para mim. Minha sobrinha ajuda também”

 

Germínio lembra ainda que Moa estava cheio de planos quando foi morto. Inclusive, no dia do crime, eles conversavam sobre os projetos voltados ao bloco Afoxé Badauê, fundado por Moa. “Ele falava de projetos do bloco Badauê, que vai fazer 45 anos. A ideia dele era começar a fazer eventos para planejar o desfile do bloco no carnaval. Ele também estava construindo o Centro Cultural que ia atender jovens aqui da comunidade [do Dique do Tororó]”